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novembro 05, 2010

Fui a aniversariante do dia!

Okay, crianças, a pedidos.

agosto 11, 2010

Faces nos muros de Paris

Não poderia deixar de postar aqui obras de arte que realmente impressionam tanto pelo nível de detalhamento, quanto pela criatividade e originalidade. O artista plástico Gregos, há 3 anos vem esculpindo a própria face em paredes e muros de Paris, utilizando gesso e acrílico.

Em princípio, as faces eram brancas e com a língua para fora. As pessoas queriam entender o porquê. Gregos explicou que dependia do local onde a face era esculpida.

No início de 2009, o artista decidiu utilizar cores e expressões nas faces para criar mensagens mais visíveis. E foi o que ele conseguiu: uma interação repleta de inspiração surge entre as faces e as pessoas que passam por elas nas ruas.

Gregos está escolhendo alguns sites turísticos para postar imagens das esculturas para que um número cada vez maior de pessoas possam vê-las gratuitamente. Mais de uma centena de faces do artista têm sido aplicadas em diferentes distritos de Paris.

Enviei este mesmo post para o BLOGit, quem puder, dá uma passadinha para conferir por lá e comentar também!


























Essa dica foi de um blog que eu adoro, o muitolegal.

junho 03, 2010

Mensagem de esperança e exemplo de superação

Não poderia deixar de postar aqui um vídeo não comercial, eu encaro mais como motivacional, com este exemplo de superação do australiano Vick Vujicic, que nasceu sem braços e sem pernas e atualmente é pastor e palestrante motivacional.

O vídeo foi feito para a Hyundai, que é parceira oficial da Copa Mundial 2010, e que aparece como uma marca de "suporte" à mensagem de superação deixada por Nick.



O texto é realmente emocionante, veja versão original:

"I was born different. But that doesn't stop me from living my life and I'm happy. I love soccer so much and I don't play as well as others, of course, but you know in the World Cup, there is so much antecipation and excitement. That 'stirs up' in all of us and everybody cheers for this success of their own team and you know in all games there is losing and winning.
People who moan over, you know,their team not winning and then people who get so excited when they win. Everybody loves to win but we shall not linger on the difference between winning and losing. At the world cup, most of the fans around the world will experience the loss of their team. But is losing failing?

At age 8, I wanted to end my life. I told my mom I wanted to commit suicide, and then, age 10, I actually tried. I felt like I had no hope to live. I felt I was so different to everybody else, and there was definitely no future or hope for me. If I gave up, thinking that that was the end. I would have missed out on so much more.

Life is life, there are lots of successes but also lots of failures and it repeats itself again and again. Should we really despair everytime we go through, you know, a failure? You’re saying ‘oh, now I am a failure for the rest of my life. You see, the stairs right in front of me are a huge barrier and one step at a time is what I have to do.

If I never try, I’ll never achieve anything. If I fall down, what do I do? I am gonna try again and again because the moment I give up is the moment I’ll fail. It is so important that we don’t despair with the results, that we sometimes don’t anticipate whether it’s in the soccer game or life. So embrace the path your team has taken and believe that they will try again with resilience.

Then you’ll feel the happiness in life again to be able to enjoy the World cup as a true festival as it is, a celebration. Failure is not important. How you overcome it is. Life is life. Feel the game.”
Dica do dialetica.org.

setembro 06, 2009

Casamento Ortodoxo Grego

Para fechar a semana em grande estilo, cheguei de viagem às 6h30 da manhã, consegui dormir até umas 11h, para depois começar o ritual de madrinha de um casamento ortodoxo grego.

Deu tudo certo, a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, para quem não sabe, separou-se da Igreja Católica Romana ainda no século XI, ou seja, quase mil anos. As doutrinas são semelhantes, a principal diferença está no fato de desconsiderar o papa como líder da igreja, e ainda preservam o uso de roupas litúrgicas em seus cultos.

Claro que a cerimônia começou atrasada, muito já se adaptou ao "jeitinho" brasileiro. Nós, padrinhos, jogamos amêndoas nos noivos enquanto circulavam em sentido anti-horário a mesa onde estava o livro do evangelho, ritual que representa a chamada dança de Isaías.

Outra curiosidade: para os ortodoxos, a aliança no dedo anular da mão direita representa o casamento e na mão esquerda o noivado. Mas, por convenção ao que é costume no Brasil, as alianças de casados podem ser usadas na mão esquerda.

O ritual do casamento ortodoxo grego realmente é muito bonito e, na festa, tivemos a surpresa da apresentação de um grupo de dança grega, uma homenagem dos noivos ao pai da noiva, que é grego, e está comemorando 50 anos no Brasil. Outro detalhe: o pai da noiva, grego, casou-se com uma pernambucana, e vivem felizes e muitos sorridentes até hoje. Olha a mistura...

Por fim, quebraram pratos, em sinal de comemoração, e dançamos todos a dança grega para celebrar junto com os noivos e suas famílias.

Uma experiência realmente única, e a felicidade dos noivos foi o que mais nos emocionou, pois ambos são exemplos de vida, transplantados, verdadeiros exemplos de amor.

Felicidade eterna aos noivos! E pra todos nós!

setembro 02, 2009

O terceiro dia e mais uma placa...

Mais um dia com o pé na estrada! Três cidades diferentes, cinco clientes - informação não vai faltar.

Cidades novas pra mim, preciso saber de tudo, sei lá, acho até que pergunto demais. Mas sempre quero saber sobre quantidade de habitantes, atividade econômica, distribuição de renda... Mas ainda tem aquele lado turista que me afeta de vez em quando.

Já na primeira cidade me empolguei com um museu japonês. Fui atrás, encontrei o lugar. O museu, pra variar, abre de quarta a domingo, das 13h às 18h, ou seja, hoje é quarta, mas adivinhem só se já havia passado das 13h? Estava fechado. Mas, tudo bem, a paisagem é linda, tem uma espécie de "caseiro japonês" que cuida de tudo por lá.

Prato cheio pra mim, fotos de monumentos, homenagens a diversos aniversários da imigração japonesa no Brasil. Placa de 80 anos da imigração, de 90 anos... até que cheguei na de 100 anos, que foi em 2008. E eu fotografando todas as placas, informações históricas, me empolgo fácil com essas coisas. Até que então, eu vi, mais uma vez em menos de dois dias:

















"Ah, não!!!" - foi involuntário, mas falei em voz alta.

Além da explicação óbvia, me pergunto, deve ter doído o coração de quem gravou essa placa. Inclusive, doído a consciência do cara que teve o trabalho de construir um símbolo de homenagem com um nome que está acabando com seu orgulho de ser brasileiro. Ainda bem que o Príncipe Naruhito não entende português. Já pensou traduzir literalmente o que o molusco fala? Pior seria se o príncipe soubesse o que a "merluza-molusco" faz sentada na poltrona da presidência. Não foi um ministro japonês que se matou por terem descoberto que era corrupto? A fila para o suicídio em Brasília deveria ser a maior do mundo.

Depois dessa foto, disse a mim mesma... "esquece o turismo e volta pra realidade, porque aqui nessa terra ninguém deve ter votado nesse cara", pouco depois comecei a imaginar que falta pouco pro mundo acabar.

Tirei os pensamentos da mente. Foco, foco, trabalho é o que não falta. Cheguei na quarta cidade, vou dormir por aqui e me conscientizar que a partir de amanhã, nada de turismo.

Que coisa mais incoveniente!

agosto 31, 2009

Desabafo de um dia de trabalho

Cara, hoje estou literalmente "podre". Viagem a noite inteira, de ônibus, e a cabeçona workaholic que sentou ao meu lado inventou de usar o lap top - já que o bus tinha wireless grátis para os passageiros.

Beleza, o que é uma claridadezinha a mais, quando todas as luzes de localização de poltronas estão acesas na sua cara e você ainda se dá conta de que escolheu aquela bendita poltrona que fica bem na janela com saída segurança - ou seja, mais uma pequena luz branca resplandescente na sua cara.

Tranquilo, devemos ter parado em umas 20 rodoviárias durante os 690 km da viagem. Resultado: se cochilei, não sonhei. Se dormi, acordei todas as 20 vezes em que paramos.

Bacana, chegando na cidade, hora de ir pro hotel, check in, pelo menos um café da manhã pra dar um gas durante o dia. De repente, você percebe que precisa saber como estão as coisas na empresa e começa a baixar os e-mails... Vamos lá, um por um, tô longe mas não tô morta.

9h da manhã, hora de começar o trabalho. Conversa, entrevista, analisa, anota, avalia o regionalismo da informação. Então, aquela velha história: dentro de uma mesma cidade, clientes que trabalham com os mesmos produtos, com exatamente o mesmo porte e potencial de compra, pensam diferente. "Nããããooo... Pra quê vocês vão aumentar isso? Tem mais é que reduzir!" Outro: "Cara, não reduz, vocês vão perder clientes com isso!" - tudo fazendo muito sentido.

Caminhada o dia inteiro. Intervalo de cliente, pausa para fotos locais. Maldito Lula que coloca seu nome em placas de lugares maravilhosos - mas vou lá, tiro foto até da placa. Turista é fogo.

Fim do dia. Thanks god! Hummmm... Preciso urgente de um banho, mas também preciso baixar os e-mails do dia que rolaram na empresa, ah e também encontrar uma grande amiga que voltou pra terra natal e parece que não vejo há meio século. Hummm... tudo hoje a noite? Vamos ver... Combino com a amiga pro dia seguinte, mas baixo todos os benditos e-mails, respondo a TODOS, e prometo que vou fazer algumas planilhas para enviar para a fábrica.

Ah, pára. Não hoje. Amanhã também não. Nem depois. Hummmm, 5ª talvez. Boa! Se não der, penso numa alternativa, tenho sido boa nisso ultimamente...

Ligo pro marido, dever cumprido.

É bom que essa cama de hotel seja beeeeem macia... Good night, people...

agosto 23, 2009

Cuide bem de você e de seu mundo

Segue e-mail recebido esta semana, que seria de autoria de Herbert Vianna, cantor e compositor brasileiro. Se realmente foi ele quem escreveu, não sabemos, mas realmente a mensagem nos faz parar para pensar no que estamos fazendo com nós mesmos e com o ambiente ao nosso redor...

Clique para ampliar a imagem.


novembro 04, 2008

E se fosse o contrário?

E se o candidato negro fosse John McCain, veterano condecorado de guerra, e o branco fosse Barack Obama, que experimentou drogas na juventude, porém se destacou na vida universitária e se tornou um político destemido? A história seria diferente?

Tá aí uma pergunta que não quer calar.

junho 22, 2008

As cores são pra mim

Esse cavalo azul e prateado
Tem as cores do meu bordado
E no espelho esta pintado

Este cavalo caramelo
Tem a cor do meu chinelo
Que na lança do duelo
Esta feito de bronze

E assim
Em uma variedade sem fim
Os cavalos são pra mim

(Laura Emerim Silva, poetisa de 9 anos, "Cavalos ilustrados")

junho 16, 2008

O importante é chegar lá

Para ir a um lugar
Alem de sonhar

Podemos nadar
Voar
Ou simplesmente andar

Porque de um jeito ou de outro
Lá iremos chegar

(Laura Emerim Silva, poetisa de 9 anos, "Como chegar")

junho 09, 2008

Happy birthday Mr. President

O "parabéns a você" mais famoso e polêmico da história foi, sem sombra de dúvida, foi o interpretado por Marilyn Monroe em 29 de maio de 1962 para o então presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy, ocasião em que ela usava um vestido tão justo que teve de ser costurado em seu corpo. A canção veio acompanhada de um Rolex em ouro maciço.

Assista ao vídeo:

junho 03, 2008

Deficiências - Renata Vilela

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar a sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria,
e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da
hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior de todas as deficiências é ser miserável (...)


Pois ser "miserável" é aquele que não consegue enxergar a si mesmo.

Este final foi meu, mas toda a mensagem acima foi de Renata Vilela, professora, mãe e brasileira.

março 11, 2008

novembro 25, 2007

DANTE ALIGHIERI - O maior nome da literatura italiana

"O ano de 1265 reservou um grande presente a Florença: nascia na cidade aquele que se tornaria o maior nome da literatura italiana - Dante Alighieri.
"Integrante da pequena nobreza guelfa, uma das facções políticas em que se dividia a elite florentina, sua família batizou-o 'Durante Alighieri'. Mas logo o apelidou com o nome pela qual ficou conhecido.
"Em 1283, Dante viu na rua a jovem Beatriz Portinari, o amor platônico de sua vida que se tornou a fonte de inspiração de sua grande obra.
"Quando ele completou 12 anos, seus pais arranjaram-lhe um casamento com a nobre Gemma Donati. O matrimônio concretizou-se quando Dante tinha 18 anos, mas a moça parece jamais ter ocupado seu coração - pelo menos em suas obras nem ela nem os quatro filhos do casal são mencionados.
"Ao iniciar seus escritos, foi apresentado pelo poeta Brunetto Latini aos textos clássicos, bem como à forma de escrever que surgia naquele momento, o dolce stil nuovo. Dante tornou-se adepto desse estilo, caracterizado pela exaltação do amor e por sua estrutura rigorosa de composição de versos.
"Em 1289, a política irrompeu, pela primeira vez, as atividades literárias de Dante, que se engajou em batalhas com a facção da nobreza rival à dos guelfos - os gibelinos. No ano seguinte, Beatriz faleceu, o que levou Dante a entregar-se a uma vida dissoluta. As informações sobre essa fase de sua vida são muito escassas.
"Estimulado por amigos, voltou a escrever em 1292. Três anos depois, entrou na vida política florentina. Nessa época, enfrentou várias perseguições e iniciou muitas de suas importantes obras. Faleceu em Ravenna em 14 de setembro de 1321, onde foi enterrado."


Principais obras

La Vita Nuova (A Vida Nova, c. 1292);
De Vulgari Eliquentia (Sobre a Língua do Povo, c. 1306);
Il Convivio (c. 1306-1309);
De Monarchia (c. 1310 ou 1318);
A Divina Comédia (c. 1307-1321).


Sua época

"A Itália dos dias de Dante estava dividida entre o poder do papa e o do Sagrado Império Romano. O norte era predominantemente alinhado com o imperador (alemão ou italiano) e o centro, com o papa. Assim, não havia no país um único poder. Nas cidades, era comum haver disputas entre grupos opositores, o que freqüentemente levava a sangrentas guerras civis.

"A política representava os interesses de famílias. Na época, a maior parte do poder em Florença estava nas mãos dos guelfos - opositores do poder imperial. Mas o partido em pouco tempo se dividiu em duas facções. A causa foi novamente uma rixa entre famílias. Nessa época, Dante era um dos seis presidentes do Conselho da Cidade e a briga entre duas influentes famílias tornou-se cada vez mais intensa. Pela paz da cidade, ele teve de ordenar o exílio dos líderes de ambos os lados. Imparcial, incluiu, entre os exilados, um de seus melhores amigos - Guido Cavalcanti - e um parente de sua esposa, da família Donati.

"No meio dessa confusão, o papa decidiu enviar Calor de Valois (irmão do rei Felipe, da França) como pacificador para acabar com a briga entre facções. A suposta ajuda, porém, revelou seu um golpe de uma das famílias para tomar o poder, e Dante foi culpado de várias acusações, entre elas corrupção, improbidade administrativa e oposição ao papa. Foi banido da cidade por dois anos e condenado a pagar uma alta multa. Caso não pagasse, seria condenado à morte se algum dia retornasse a Florença.

"Cinco anos antes de sua morte, foi convidado pelo próprio governo de Florença a retornar à cidade, mas Dante rejeitou, falecendo em Ravenna."


A Divina Comédia

"'A Divina Comédia' caracterizava-se por um forte sentido moralizante, pela reafirmação dos princípios cristãos e pelo desejo de renovação espiritual. Sua força narrativa reside na firmeza de caráter de Dante, enquanto personagem, ao lidar com algumas das questões mais fundamentais da condição humana. Mesmo diante dos maiores desafios, o poeta segue convicto na crença da vida eterna.

"É um poema composto por um prólogo que introduz o leitor à aventura de Dante e por três partes claramente divididas: Inferno, Purgatório e Paraíso.

"Ao longo da obra, o autor atravessa os três mundos após a morte, na visão católica. O percurso tem início quando Dante perde-se em uma selva - símbolo de um período de entrega aos pecados."


Personagem principal

"Dante Alighieri é o próprio protagonista de A Divina Comédia. E boa parte da história ele passa com Virgílio. O encontro deles ocorre quando Dante tenta escapar da selva e encontra uma montanha que pode ser sua salvação, mas é logo impedido de subir por três feras: um leopardo, em leão e uma loba. Prestes a desistir e voltar para a selva, é então surpreendido pelo espírito do poeta romano Publius Vergilius Maro (70-19 a.C.), o Virgílio, que passa a representar seu mestre. Em algumas ocasiões, Virgílio o censura, em outras, o encoraja. às vezes ensina, outras, o transporta em suas costas e o põe para descansar na sombra dos rochedos.

"Para Dante, Virgílio representa a razão e a sabedoria humana e Beatriz, a mulher amada, a revelação e a sabedoria divina."

novembro 12, 2007

Mário Quintana


Mário Quintana foi um dos maiores poetas brasileiros. Nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1906 e morreu em Porto Alegre, em 1994. Sua poesia foi caracterizada especialmente pela simplicidade, utilização de uma linguagem coloquial e cotidiana, além de exprimir um sutil humor. Neste texto, o poeta expressou o que achava do sermão dos padres durante o casamento.

O Sermão do Padre Durante o Casamento

Em maio (...), escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre:

"Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?"

Acho simplista e pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:

"Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?"

"Promete saber ser amigo(a) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena um e outro, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?"

"Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?"

"Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?"

"Promete se deixar conhecer?"

"Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?"

"Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que você os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?"

"Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?"

"Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?"

"Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?"

"Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher."

"Declaro-os maduros!"

Mário Quintana, se não foi um budista praticante em vida, soube cultivar com sabedoria a filosofia dentro de si. Soube enxergar a si mesmo antes de enxergar e perceber o próximo. É e sempre será um grande exemplo para todos nós.

novembro 10, 2007

Dom Pedro II - Monarquista com espírito republicano


"Dois trajetos de carruagem no meio da noite, rumo a um destino desconhecido, marcaram as dramáticas guinadas da vida de Pedro, o segundo e último imperador do Brasil. Aos 5 anos, foi tirado do único lar que conhecia e levado para um desfile festivo pelas ruas do Rio de Janeiro. Seu pai, Pedro I, ia-se embora do Brasil e deixava para trás o menino que, em prantos, sem noção do que acontecia, era aclamado como o pequeno imperador. Na madrugada de 17 de novembro de 1889, aos 63 anos, mas aparentando mais, perfeitamente consciente do que se passava, ele se apertou com a família no coche que o levou para o cais de onde rumaria ao exílio. O embarque noturno era uma exigência dos representantes da República recém-proclamada – não queriam manifestações de apoio que pudessem redundar em repressão e derramamento de sangue. Provocou uma das poucas reclamações do imperador deposto. 'Não sou nenhum fugido', repetiu duas vezes. No mais, 'nobre dignidade e perfeita segurança de si mesmo caracterizaram a compostura de Sua Majestade; nem ao menos uma palavra de queixa ou reprovação saiu de sua boca', segundo descrição do embaixador da Áustria, conde Weisersheimb, que no dia seguinte acompanhou os netos do imperador até o navio que os levaria para a Europa. Manteve a mesma atitude até a morte, dois anos depois, num hotel simples de Paris.

"Os fatos assim resumidos fazem parte da história que para a maioria de nós está num escaninho da memória rotulado de 'escola' e invariavelmente associado ao adjetivo 'chato'. Na fração de segundo que decorre entre uma palavra e outra, vêm-nos à mente as imagens de um velho barbudo que deu uma festa daquelas, o baile da Ilha Fiscal, seis dias antes de aparecerem uns caras com nomes de rua gritando 'perdeu'. Daí, ele dançou e todo 15 de novembro – uma licença histórica, pois a República só foi proclamada oficialmente no dia seguinte – temos um feriado, de preferência feriadão. Isso para nós, leigos indiferentes. Para historiadores, Dom Pedro II continua mais vivo do que nunca: em qualquer lista que se faça sobre as personalidades mais influentes dos 500 anos de história do Brasil, e quer o opinador se alinhe na corrente crítica ao último imperador ou na dos admiradores de seu reinado, ele costuma disputar o primeiro lugar com Getúlio Vargas. A segunda corrente ganhou recentemente um reforço extraordinário por meio da biografia escrita por José Murilo de Carvalho para a série Perfis Brasileiros, da editora Companhia das Letras. No retrato apaixonado traçado pelo historiador, o homem que governou o Brasil por meio século com 'os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota' deixou um exemplo de senso de dever, tolerância, liberalidade e quase inacreditável respeito pela liberdade de imprensa.

"De todas essas características, a mais surpreendente é a fé republicana. Como um monarca, de coroa, cetro e manto, além de mais poderes constitucionais do que sua prima e contemporânea, a rainha Vitória (o Poder Moderador, mas não vamos nem falar nisso para não lembrar dos tempos de escola), poderia defender um sistema de governo que implicava sua própria extinção? Em defesa da tese republicana, pesam escritos do próprio Pedro II. 'Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferiria a de presidente da República ou ministro à de imperador', escreveu ele numa espécie de auto-retrato feito em 1861 no diário habitualmente dedicado a registrar fatos mais rotineiros. Outros trechos reveladores:

• "Jurei a Constituição; mas ainda que não a jurasse seria ela para mim uma segunda religião".

• "A nossa principal necessidade política é a liberdade de eleição; sem esta e a de imprensa não há sistema constitucional na realidade, e o ministério que transgride ou consente na transgressão desse princípio é o maior inimigo do estado e da monarquia".

• "Leio constantemente todos os periódicos da corte e das províncias. (...) A tribuna e a imprensa são os melhores informantes do monarca".

"Também se atribui a Pedro ter dito: 'Eu sou republicano. Todos o sabem. Se fosse egoísta, proclamava a República para ter as glórias de Washington'. Está aí uma das explicações para a sua 'estranha simpatia' republicana, segundo José Murilo de Carvalho: na visão dele, a monarquia era necessária como uma 'fase de preparação' do país para um futuro mais evoluído. Ou seja, apesar da índole tolerante e da inclinação republicana, o imperador, pelo menos em seu apogeu, exercia suas funções com plena segurança de que fazia o melhor para o país – segurança até excessiva, na opinião de críticos contemporâneos como Rui Barbosa. 'Mercê do seu espírito contemporizador e da sua prodigiosa dissimulação, conservou, na mão de ferro enluvada em veludo, um poder sem contrapeso nem limite', escreveu Rui, que virou republicano e ministro – ruinoso – da Fazenda em questão de dias, uma vez proclamado o novo regime.

"O imperador tinha opiniões honrosas sobre praticamente todos os assuntos importantes. Era a favor de eleições livres e ardoroso defensor da educação como instrumento democrático. 'Sem bastante educação popular não haverá eleições como todos, e sobretudo o imperador, primeiro representante da nação, e, por isso, primeiro interessado em que ela seja legitimamente representada, devemos querer', escreveu ele à filha e herdeira, Isabel, ao partir para a primeira de suas viagens ao exterior – a paixão por conhecer o mundo era tanta que se transformou num de seus pontos fracos, politicamente. No mesmo documento ele prega a nomeação de funcionários 'honestos e aptos para os empregos' públicos, embora reconhecendo que 'os interesses eleitorais contrariam, no estado atual, direta ou indiretamente, o acerto dessa nomeação'. Apesar do processo terrivelmente lento para acabar com a nódoa mais abominável de seu reinado, a escravidão, chegou a ser criticado por se 'precipitar' em defender a abolição em plena Guerra do Paraguai. 'A escravidão é uma terrível maldição sobre qualquer nação, mas ela deve, e irá, desaparecer entre nós', escreveu para a mulher com quem manteve a mais permanente relação amorosa de sua vida, Luísa Margarida Portugal de Barros, a condessa de Barral.

"Quando foi coroado imperador, também em clima de aclamação popular, o 'pupilo da nação' ainda era um garoto de 15 anos, obviamente sem a barba patriarcal e a altura imponente – 1,90 metro – da imagem que ficaria mais conhecida. Tinha paixão pelos estudos, provável refúgio para a desolação emocional. Quando começou a viajar ao exterior, já tarde na vida, procurou conhecer seus ídolos, vultos intelectuais como Victor Hugo, Wagner, Alessandro Manzoni, Ernest Renan. Interessava-se por tudo, do Egito antigo aos Estados Unidos modernos, a pátria-mãe do republicanismo, onde seu horror a pompas, e a gentileza que sempre adoça os humores dos jornalistas, deixou boa impressão. 'Conheci muitos figurões, mas nunca vi um cujo tratamento igualasse o de dom Pedro em cortesia', escreveu o autor de seu obituário no The New York Times.

"Da mesma forma que o imperador tinha simpatias republicanas, o marechal Manuel Deodoro da Fonseca simpatizava com a monarquia. 'Eu queria acompanhar o caixão do imperador, que está velho e a quem eu respeito muito', dizia. 'Manuel Deodoro é meu amigo, tenho-o protegido e a toda a família', respondia Pedro, teimoso, quando avisado da agitação que tomava os quartéis – o marechal provinha de uma importante família de militares. No 15 de novembro de 118 anos atrás, Deodoro acedeu ao apelo dos oficiais republicanos, dissolveu o governo e foi para casa dormir, com dispnéia, um tipo de falta de ar associado a doenças pulmonares ou cardíacas. Só no dia seguinte o aviso oficial chegou ao imperador, que havia descido com a família de Petrópolis para o Paço da Cidade. Isabel chorou e Teresa Cristina, a imperatriz, afligiu-se quando Pedro comunicou o teor da mensagem que havia recebido: ele estava destituído, a República, proclamada, e a família real tinha 24 horas para deixar o país. 'Pois, se tudo está perdido, haja calma. Eu não tenho medo do infortúnio', disse, recuperando o controle depois de receber, na madrugada, o aviso de que teriam de sair de imediato, sob o manto da escuridão. Um mês e meio depois do golpe, Deodoro implantou a censura à imprensa, que havia sido tão importante para o movimento republicano. Foi eleito presidente pelo Congresso Constituinte em fevereiro de 1891 e forçado a renunciar no fim do mesmo ano. Afligido pela dispnéia, morreu em agosto de 1892, oito meses depois de Pedro, o último imperador. Neste feriadão, se por acaso alguém pensar nos personagens históricos que lhe deram origem, a imagem evocada provavelmente será a de Pedro II, e não a do protegido que o derrubou. Se essa imagem não fosse apenas a do velho barbudo..."

Fonte: Revista Veja