novembro 29, 2007

Nossa realidade interior determina quem somos

Por Glau Boeing
Você já parou para se observar através dos olhos de outra pessoa?

Você já percebeu que a realidade que vive todos os dias é uma manifestação do que você mesmo criou para que acontecesse diariamente?

Você já parou para pensar em sua vida, no que existe hoje nela, e no que planeja que exista da mesma forma no futuro?

Você já imaginou que pode mudar completamente sua realidade, a partir do momento em que se permitir fazê-lo, muitas vezes com um simples pensamento?

Já imaginou que o poder que uma decisão, por menor que seja, impacta - invariavelmente - em seu futuro e no de outras pessoas?

Hoje em dia, poucos são aqueles que param sua rotina diária, refletem sobre seus pensamentos, atitudes ou palavras, e avaliam o quanto têm influência para decidir seu próprio futuro.

Vivemos exatamente aquilo que definimos ser nossa rotina, extraordinariamente saímos desse contexto e nos permitimos viver experiências diferentes e, mesmo quando o fazemos, nos concentramos inconscientemente em não "desestabilizar" nosso dia-a-dia.

Nossos pensamentos são poderosos. Você já parou para pensar do que os pensamentos são feitos?

É através dos pensamentos que percebemos o mundo em que vivemos, nossa realidade. Os pensamentos formam o sentimentos, que podem ser bons ou ruins, dependendo de quais você quer manifestar, de acordo com a forma que você percebe o mundo à sua volta. Por exemplo, você pode sentir raiva diante de uma situação que perceba ser ruim, sem pensar nos aspectos positivos, no "lado bom". Outra pessoa, diante da mesma situação, pode se sentir aliviada por não ter sido pior, por exemplo. Pode se sentir feliz por estar viva, por poder tentar novamente, por não desistir jamais de tentar até conseguir.

Um fato é percebido de maneira diferente por cada pessoa. Isso acontece porque cada um constrói a sua verdade, têm seus próprios entendimentos a respeito do mundo e, com isso, vive uma realidade diferente, por mais que muitas vezes, estejam compartilhando de um mesmo ambiente, seja de trabalho, familiar, em grupo, etc.

Muito do que pressupomos a respeito do mundo, simplesmente não é verdade. Mas estamos presos a estes preceitos muitas vezes, sem mesmo saber. São essas percepções que temos do que acreditamos ser a verdade e com ela construímos nosso "mundinho", sem sequer imaginar o que existe muito além dele.

Somos todos um enigma? Um mistério? Com certeza o somos, todos, sem exceção. Fazer estas profundas perguntas para si mesmo abre novas formas de ver o mundo, traz uma renovação. Pode fazer com que a vida seja mais prazerosa. "O grande truque da vida não é estar no saber, é saber estar no mistério."

Por que continuamos a recriar a mesma realidade, todos os dias? Por que procuramos manter os mesmos relacionamentos? Neste verdadeiro mar de potencialidades que existe a nossa volta, por que insistimos em recriar sempre as mesmas realidades?

A verdade é que temos muitas opções e potenciais em nossa vida e sequer tomamos conhecimento disso, justamente por estarmos tão condicionados dentro do nosso dia-a-dia que conseguimos nos convencer de que não temos controle algum sobre o que está fora de nossa realidade.

Através de nossa educação, tradição e costumes, fomos condicionados de que o mundo externo é mais real que nosso mundo interior. Mas é através deste mundo interior que criamos tudo em nossa vida, desde a infância até a velhice. Com nossos pensamentos - o "certo" e "errado" que definimos a respeito de alguma coisa - criamos sentimentos em relação a tudo o que nos acontece. Estes sentimentos geram as percepções que conduzem nossas atitudes, nossas decisões, nossa vida. Como podemos sequer cogitar a possibilidade do mundo externo ser maior ou mais importante do que nosso mundo interno?

A Física Quântica é uma ciência que diz que o que acontece conosco internamente irá criar o que acontece conosco externamente. O mundo externo nada mais é que uma conseqüência de nosso mundo interno, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossos julgamentos a respeito de tudo o que acontece.

Muitas pessoas não afetam a realidade de forma consistente porque não acreditam que possam. Elas escrevem uma intenção e depois apagam, pois acham que é tolice. "Não consigo fazer isso". Escrevem de novo e apagam. Isso tem um efeito muito pequeno, pois elas não acreditam que possam fazer isso.

Se você acreditar com todo o seu ser que pode andar sobre a água, isso acontecerá.

É como o pensamento positivo, que é um conceito maravilhoso. Mas geralmente temos uma névoa de pensamento positivo, cobrindo uma enorme massa de pensamento negativo.

Quando pensamos em objetos, tornamos a realidade mais completa do que ela realmente é. É aí que você fica preso. Mas, se considerar que a realidade é sua possibilidade - imediatamente perguntamos como podemos alterá-la, torná-la melhor, mais alegre.

É uma extensão da nossa imagem.

Nós podemos escolher a experiência que quisermos, desta forma cada um cria sua própria realidade.

Quando estamos imersos em nossos próprios sofrimentos, reagimos negativamente a cada evento que considerarmos desagradável, o que gera ainda mais sofrimento. Da mesma forma, quando estamos alegres, costumamos reagir positivamente e muitas vezes até pró-ativamente para que coisas agradáveis aconteçam.

Qualquer trabalho de transformação pessoal se propõe a abrir novos caminhos, visões, percepções e atitudes. Entretanto, para que essa "revolução" dentro de si aconteça, precisamos gerar uma energia para a mudança. "É preciso ter experiências positivas para repetí-las". Para isto, precisamos parar de nos contar a mesma história o tempo todo e nos permitir viver histórias diferentes.

Fica aqui o desafio de transformar nossa realidade através de nosso mundo interior, onde podemos avaliar com clareza nossas potencialidades e nossa condição plena de viver experiências novas e enriquecedoras.

2 comentários:

Anderson disse...

Amada,

A pergunta que abre o seu texto é, por si só, auto-explicativa do que segue logo abaixo. Visualizar o mundo ao nosso redor sob os olhares e percepções de outra pessoa só tem ressaltar a importância da nossa existência como seres que podem mudar o ambiente, efetivamente harmonizando tudo que nos rodeia. Esse é o resultado prático das causas que criamos e dos efeitos que advém dessas causas.

(Prático e lógico, é bom que se diga, pois até a física hoje se debruça sobre tão importante assunto.)

Muitas são as pessoas que só tendem a olhar para o próprio umbigo, alheios a tudo a não ser aos seus próprios desejos, sem perceber que, ao assim agirem, não conseguem colocar pra fora o que têm de melhor. Como uma simples pedra que precisa ser lapidada de forma a extrair o seu real valor como uma jóia, nós, também, devemos lapidar a nossa própria vida, extraindo do nosso interior a força necessária para transformar a nossa existência e o ambiente que nos cerca, para, ato contínuo, ajudarmos as demais pessoas de modo que façam o mesmo.

Parece fácil, mas nós mesmos demoramos até descobrirmos que a solução não está "lá fora", mas bem mais perto do que se imagina...

Parabéns pela excelência e pertinência do texto! Mil beijos!

ikarsten disse...

Glau,

Que profundidade! Obrigada por nos presentear com sua habilidade de redigir tão profunda ferramenta de reflexão.

Creio, cada dia mais, no que você escreve, que o poder está dentro de nós, em nossa mente e principalmente em nossa vontade (que gera atitudes), porém não podemos esquecer que a vida é probabilística, nem sempre podemos evitar algumas fatalidades...Os ciclos abrem e fecham em nossa vida, trazendo fases de extrema alegria e fases de profunda interiorização ou mesmo de dor, sofrimento. Se nosso eu estiver focado, saudável, em atitudes de "Bem com a vida", será mais tranquila a passagem por cada ciclo.
Então, no fim das contas, ficam mais algumas perguntas: Se eu não for por mim, quem será? Se eu não fizer a minha parte, quem fará? Cada qual deve abraçar a sua responsabilidade e fazer a diferença nesse planeta, que, por sinal, "o planeta", começa no meu quintal...

Beijo querida amiga,

Ivone Karsten